segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Grande Decisão

Miami/Urgente
Arlindo Vermes (vermes@vermes.com)
Correspondente Internacional Terceirizado

    Colombo acorda nesta ensolarada manhã de 2ª feira, quase 11.30h, faz uma chamada telefônica e diz, efusivamente:
- Bira, I have a dream. E repete: I have a dream. O Bira, escuta, pensa e diz: Raimundo, esta frase é do Martin Luther King. Mas, é louvável o teu esforço.
Então, Colombo, lança outro brado: - We are the champions, e o Bira explica que esta é do Fred Mercury, vocalista do Queens.
   Aparentemente recuperado, o governador convida o amigo para o almoço. 
   O Bira diz: lunch? Colombo responde: não me fale nunca mais em lunch porque eu lembro do botão launch (lançamento) da espaçonave. E riram os dois.
    Almoçaram num recinto privado e, por deferência ao meu trabalho como correspondente, fui convidado a participar.
    Colombo estava diferente dos outros dias. Os olhos dilatados, um ar de alegria incontida e uma certa ansiedade.
    O Bira percebeu e sugeriu cinco comprimidos de VALIUM 25. Colombo acatou.
    Então, como numa abertura de ópera, o governador anunciou: Mudaremos o poder para cá. Os três poderes. Faremos da descentralização algo que eles nunca imaginaram.
    Bira, dizia Colombo entusiasmado, aqui está tudo pronto. As rodovias, as pontes, os hospitais, escolas, aeroportos e até as cadeias. 
    Não precisamos gastar nenhum centavo. Tudo funciona.
    Podemos terceirizar o poder. Nós pagamos e eles administram.
    O Bira pensou, refletiu e concluiu: Raimundo, meu caro, sob a ótica filosófica funcional e substantiva da reinterpretação agnóstica da República de Platão, tem cabimento teu desejo.
Seria como refundar a teoria sociológica de Kierkegaard num plano individual e holístico com nuances socráticas, finalizou o Bira.
    Colombo gostou do argumento e sentido-se encorajado, avançou: O Executivo ficará em Boca Raton, o Legislativo em Fort Lauderdale, também na beira do mar, em razão da necessidade do bronzeamento natural de alguns. O Judiciário transferiremos para Orlando. Quando eu escutei, logo pensei em Orlando Orfey. No Grande Circo Orlando Orfey. 
    Depois, lembrei-me que era Orlando onde está a Disney World e suas cintilantes maravilhas.
    E o Tribunal de Contas, para onde vai? Aí Colombo foi magistral. Eles não querem helicópteros? Não querem voar? Então vão para a base aérea mais bem equipada da Flórida, em Five Wings.
    Ficou resolvido que na chegada a Florianópolis haveria uma reunião com todos os membros dos três poderes, somente os de primeiro escalão, para tratar da transferência e do auxílio moradia, do vale alimentação incorporado ao vale transporte para uso na América. Além de quatro passagens áreas anuais para o Brasil. Primeira classe, claro.
    Foi aí que surgiu um problema grave. O que fazer com os prédios públicos na capital de Santa Catarina?
    O Bira sugeriu uma reengenharia sócio-educativa pós-malthusiana, atualizada didaticamente pela teoria Marcuse. E explicou: daremos uma tablet para cada estudante catarinense e eles estudarão em casa. Os professores vão plantar hortaliças orgânicas, pois é necessário acabar com a ociosidade instalada no sistema. Exportaremos batatas para a China, o maior mercado consumidor do mundo. 
    As escolas serão transformadas em centros de reciclagem humana, como no filme Soylent Greenhttp://www.youtube.com/watch?v=-wa4U6TQlNI&feature=related (veja).
    Quanto aos outros prédios, decidiram que alugariam e fariam mais receita financeira. O Centro Administrativo seria transformado no Museu Descentralizado Luiz Henrique. A Casan, Celesc e a Imprensa Oficial seriam vendidas para os fundos de pensão.
    A Ilha voltaria aos anos setenta. Sem engarrafamentos, sem edifícios e preços absurdos, sem tanta violência e  com a corrupção moderada.
    Raimundo Colombo tomou a decisão mais acertada de sua vida: mandar os poderes constituídos para outro hemisfério.

Janísio deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Grande Decisão": Canga,
E ainda dizem que o Colombo não trabalha. Pode não trabalhar aqui, mas lá no exterior deu um banho.
E por que este tal de Arlindo Vermes não está na imprensa catarinense em caráter permanente?
Não podem pagá-lo? Ele sabe demais? Não aceita "jabá". Quem o indicou para o blog?

abs, Janísio Serpa
Itapema - SC 


Um comentário:

Anônimo disse...

Canga,
E ainda dizem que o Colombo não trabalha. Pode não trabalhar aqui, mas lá no exterior deu um banho.
E por que este tal de Arlindo Vermes não está na imprensa catarinense em caráter permanente?
Não podem pagá-lo? Ele sabe demais? Não aceita "jabá". Quem o indicou para o blog?

abs, Janísio Serpa
Itapema - SC