sexta-feira, 30 de março de 2012

O Cavalo de Troia da Prefeitura

Publicado originalmente no jornal Notícias do Dia   

Por Moacir Loth
    Jornalista

     Não é preciso ser engenheiro rodoviário para saber que a duplicação dos 900 metros da rua Deputado Antônio Edu Vieira não vai resolver o caos do trânsito fabricado pela Prefeitura da Capital. Ela está enganando a população e parte da mídia embarcou nos delírios do secretário de “(i)Mobilidade”, cujo projeto tem apenas um “mérito”: represar, em fila dupla, o trânsito que vem da Beira-mar até o trevo da Eletrosul. É como um rio que encontra logo adiante uma barragem!

    A candidatura agasalhada pelo PSDB, na tentativa de despistar a sua histórica e visível incompetência, engendra o maior patrimônio público de Santa Catarina, a UFSC, em bode expiatório. A Universidade jamais afiançou que não iria doar o terreno. No seu direito, e cumprindo rigorosamente a sua responsabilidade social, defendeu o aperfeiçoamento de uma proposta caducada e jubilada, que, além de inócua, não leva em conta as necessidades e a vida da comunidade diretamente afetada pela manobra. O bom senso aproxima o reitor que está saindo e a reitora que assume em 10 de maio.

    A Prefeitura de Florianópolis é conhecida nacionalmente pelas suas “realizações” apressadas e mal-assombradas. Elitista e autoritária, costuma patrolar a opinião e a vontade das comunidades locais e indefesas. No caso da rua Antônio Edu Vieira, oferece à população e à Universidade um Cavalo de Troia. O projeto prende, em cárcere privado, os moradores e a comunidade universitária.

    Seguro morreu de velho. Está certo o Conselho Universitário da UFSC ao negar um cheque em branco ao candidato a candidato a prefeito. O projeto não garante coisa alguma. A Prefeitura, pobre de espírito público e escassa de recursos, desconsidera os impactos sociais e ambientais no entorno da Universidade.

    A ganância imobiliária é tanta na Ilha que um tucano inescrupuloso quer roubar da Universidade a terra que ocupa. Ignorando o trabalho e a importância de uma universidade de excelência, reconhecida internacionalmente, gostaria certamente que a Universidade Federal de Santa Catarina fosse despejada para o Paraná ou para o Rio Grande do Sul.

    Oportunistas, eleitoreiros e aventureiros transformam sofismas em verdade. O pior, nessa história sórdida, é constatar que contam com a colaboração, mansa e orquestrada, de setores acríticos da mídia e até de jornalistas desavisados.

    Por uma eleição e pelo “poder”, maus políticos fazem qualquer negócio. Assim como estão afundando a Ilha e derrubando a ponte Hercílio Luz, não pensam duas vezes para jogar na lixeira uma instituição que há mais de 50 anos desenvolve o Estado e blinda o país com a sua cultura e os seus conhecimentos.

    A UFSC, servidora incondicional da Nação e da sociedade, não pode se curvar nem se apequenar diante da política de balcão dos sucessores de Dario Berger!

    Talvez fosse o caso de a União, através da Procuradoria Federal, acionar os detratores por danos inaceitáveis a uma instituição essencial à sociedade. Seria uma forma de fazer justiça contra tantas insanidades ora semeadas ao vento! Publicado em 29/03-07:00 por: Artigos do Notícias do Dia.

Jose Henrique Orofino da Luz Fontes deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O Cavalo de Troia da Prefeitura": O Jornalista Moacir Loth no mínimo deveria fazer constar no texto seu vínculo com a UFSC.
Dizer que um tucano que roubar terreno da UFSC é no mínimo falta de respeito com o Deputado Marcos Vieira. Concordo com a incompetência e a irresponsabilidade de um certo vice prefeito que acha que é Engenheiro.
Concordo que a via deve ser bem planejada para evitar desacertos como os praticados com a construção de todos os elevados neste Governo.Chega de improvisação! 

6 comentários:

Anônimo disse...

Não consegui entender, ainda, o que está por detrás da ânsia de jogar a UFSC, que tão relevantes serviços já nos prestou, contra o povo.

Com certeza não é só o desejo de resolver um pequeno problema de tráfego na área.

Alguém pode dar uma explicação plausível para o interesse dos administradores?

Há interesse de algum particular por detrás do projeto da PMF?

Anônimo disse...

A Universidade errou ao "FALAR" por um aluno que integra o Conselho Universitario... quem representa o colegiado pela UFSC é o reitor ou algum orgao tecnico do departamento de engenharia...

Jose Henrique Orofino da Luz Fontes disse...

O Jornalista Moacir Loth no mínimo deveria fazer constar no texto seu vínculo com a UFSC.
Dizer que um tucano que roubar terreno da UFSC é no mínimo falta de respeito com o Deputado Marcos Vieira. Concordo com a incompetência e a irresponsabilidade de um certo vice prefeito que acha que é Engenheiro.
Concordo que a via deve ser bem planejada para evitar desacertos como os praticados com a construção de todos os elevados neste Governo.Chega de improvisação!

Marisa disse...

Defender a eficiência, a moralidade, a legalidade, na administração pública,e na mesma defesa abraçar-se a Marcos Vieira é, no mínimo incoerência assenhorado Jose Henrique Orofino da Luz Fontes.
Marcos Vieira representa tudo de pior que o nosso Estado já revelou, em termos de política e de políticos.
A lei é clara, quem quer contratar, na Administração Pública, tem que ter recursos reservados: querer iniciar uma obra que custa mais de R$ 20Mi, tendo apenas R$ 5Mi, é, certamente, mais uma enganação como foram tantas promessas desse seu partido, amigo.
Queremos políticos e não cangaceiros e coroneis.

Anônimo disse...

Pelo jeito quem vai resolver tudo e todos é a Ângela, a outra, a Albina, tsc, tsc.

Marcio Dison disse...

Não tenho vínculo com a UFSC e, aliás, tenho sérias divergências sobre os métodos de controle de horário de trabalho de seus servidores(que dirá de todos os servidores públicos do estado). Mas não precisa ser vinculado a instituição para concordar com a decisão do Conselho Universitário em negar a cessão do terreno para um projeto ultrapassado.Toda cautela é fundamental quando se trata de obra na Ilha. Parabéns ao Moacir Loth e a UFSC pela postura.