domingo, 17 de maio de 2009

Dexistas: os caçadores de rádios

Acabo de ler na PIAUí_32 uma matéria sobre o aposentado Dirney Martins, 59 anos, que é um "dexista". Nunca tinha ouvido falar nesse nome. Pois tá aí: dexistas são aficionados por rádios, é o nome dado aos especialistas em "caçar"rádios internacionais. Segundo a Associação DX do Brasil, existem 900 dexistas. Os caras saem na madruga, buscam locais especiais, copas de árvores, beira de rios ou do mar e horários especiais. Quando encontram um local que acreditam ser especial para capturar rádios de muito longe, desenrolam metros e metros de fios, posicionam seus rádios a pilha, colocam antenas em copas de árvores e voilà! Captam uma rádio do Vietnã ou de Papua Guiné.

O assunto me remeteu à beira do Rio Quaraí. Mais propriamente a Praia dos Castelhanos, aquela da histórica Batalha da Praia dos Castelhanos que fica em Artigas no Uruguai. Lembro que um dia já fui "dexista". Bem, mais ou menos. Nos anos 60-70, quando morávamos em Quaraí, eu e meu irmão, o Éio (Marco Aurélio), costumávamos sair à noite para passear em Artigas, Uruguai, em um DKW do pai. O carrinho tinha um rádio Telefunken muito bom. Invariavelmente à 1 hora da manhã rumávamos para a Praia dos Castelhanos para sintonizar a Rádio El Mundo LRX- UNO de Buenos Aires. Naquele momento, começava o melhor programa de música pop/rock do planeta. Se chamava Musical com Thompson & Willians hasta las 5 de la mañana. Os maiores sucessos do mundo do momento eram lançados ali. Era o nosso canal com o mundo e com a música. Aos poucos vários autos (automóveis) íam encostando ao nosso lado até formar uma parede de carros de frente para o rio. Era uma festa.

The Cavern
Mas o melhor de tudo, o momento mais esperado, era às 4 da manhã quando começava o La Cueva de Liverpool, um programa especial só com música dos Beatles apresentado por um famoso radialista argentino que não lembro mais o nome. Há pouco tempo o Éio, conversando com o Pedro e Juan, músicos argentinos que tocavam no bar El Mexicano, na Lagoa, descobriu que o Musical com Thompsom & Williams não era patrocinado pela marca de tintas como pensávamos e sim por uma "sastreria", ou seja, esse era o nome de uma famosa alfaiataria inglesa de Buenos Aires.

“…Hello crazy people!!!”
Mas enquanto outros ficavam no mesmo dial nós buscávamos coisas novas e tentávamos sintonizar a Mundial do Rio de Janeiro que também não era fraca. “…Hello crazy people!!!”. Era assim que o Big Boy entrava no ar. O maior comunicador da época, Big Boy fazia o maior sucesso. Foi o primeiro apresentador que incorporou uma linguagem jovem no rádio brasileiro (69/70/71) pioneiro na rádio do Rio de Janeiro. O cara tinha um programa às 6 da tarde na Mundial que alucinava o Rio e o Brasil. Depois era reproduzido à noite e era possível sintonizar em Artigas, às vezes.
Big Boy foi um disc-jockey "da pesada". Revolucionou a linguagem radiofônica no fim dos anos 60, transmitiu os lançamentos da música pop internacional simultaneamente com os EUA e Europa e criou, com o Magro Ademir, que depois pirou, o "Baile da Pesada", precursor dos bailes funk.

Além da Mundial, também caçávamos a rádio Belgrano e Mitre de Buenos Aires, a rádio Carve de Montevidéu e, claro, a Itaí-A dona da Noite de Porto Alegre. Era o maior barato.
Abaixo documetário sobre o Big Boy:





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