domingo, 15 de novembro de 2015

Mujica e los Tupas...

   Do amigo Laercio Duarte
    
   Meu querido mestre,
   Não ousaria intervir na questão uruguaia do Mujica. Pelo menos não diante de ti. No entanto, estou com este material já há dois anos e percebo que ele continua atual. Portanto, vai como mais uma sugestão, caso queiras aproveitá-la.
   
   Tenho percebido que vários defensores do governo Dilma e do Partido dos Trabalhadores, em geral, apresentam o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, como um militante de esquerda progressista e simplório, amigo de Lula e dos bolivarianos, que apóia Cristina Kirschner na Argentina, como apoiou Maduro ou Dilma nas mais recentes eleições.
  
   O ex-presidente José Mujica, na verdade,  liderava uma coalizão das forças políticas que desistiram de fazer a revolução proletária no Uruguai. Ele foi eleito explicitamente com um programa ideológico muito bem alinhado com a nova direita internacional, coisa inadmissível no Brasil do PT, MST e CUT.

   Seu programa de governo incluía:
1) desregulação financeira; (por isso o Uruguai segue sendo um  paraíso fiscal)
2) desnacionalização da produção e da comercialização dos itens tradicionais (carne, arroz, trigo, lácteos). O queijo uruguaio continua sendo um dos melhores do mundo, mas já não é uma exclusividade das empresas lácteas uruguaias.
3) reformas de perfil liberal, incluindo concentração da terra,  multiplicação do regime de zonas francas; isenções tributárias às multinacionais do agro negócio, de pasta-celulose e mineradoras,  privatizações, terceirizações, projetos em participação público-privada, e tudo o mais que deixa de cabelo em pé seus antigos camaradas Tupamaros.
   
   Por outro lado, não há criança uruguaia fora da escola e os estudantes de todas as escolas públicas estão munidos de notebooks e tablets. Não falta comida na mesa dos pobres e a oposição pela esquerda se resume a alguns sindicatos de servidores públicos.
…"Por que vou combater o que só me faz bem?" , declara um empresário do setor de indústria química, novo no país. 
   
   Para o economista Luis Bértola, doutor em História Econômica da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República, e aderente da Frente Ampla, "O governo Mujica será lembrado por não ter concretizado os desastres que os Tupamaros propunham há quatro décadas".


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