Por Maura Soares*
Álvaro
teve várias profissões, sempre usando a força de seus braços. Foi
tropeiro, aprendeu a manejar laços, montar e a conduzir gado, tendo
trabalhado levando mercadorias e gado pelas estradas catarinenses.
Depois
de certo tempo foi para São Paulo. A vida era dura e Álvaro se integrou
ao movimento anarquista, tendo aprendido diversos ofícios tais como
carpinteiro, marceneiro, pedreiro, alfaiate, padeiro, encanador,
latoeiro e outros.
Estas
habilidades aprendidas na prática, pode-se verificar em seus
descendentes, pois seus sobrinhos-netos também têm propensões para
eletricistas, encanadores etc. Seu sobrinho João Auta Soares, filho de
Luiz – o Duca – tinha a habilidade com canivete em fazer pequenos
entalhes em madeira, esculpindo figuras.
Como se vê, embora não tendo feito cursos específicos, o sentido do saber na prática passa de uma para outra geração.
Podemos
dizer que dos SOARES DA VENTURA até a primeira década do século 20 e
durante mais de 40 anos, Álvaro foi o único que se destacou nas lides
político-partidárias, embora seu pai já tivesse encabeçado movimentos
para a melhoria social.
Sua militância começou em 1914, em São Paulo, junto com anarquistas, mas já quatro anos antes liderava em Florianópolis.
Em
1910, em Florianópolis, Ventura teve envolvimento com a polícia. Seu
discurso na Praça Fernando Machado reivindicando oito horas de trabalho,
incomodou as autoridades e ele foi detido.
Com
o advento da 1ª. Guerra Mundial começaram em 1917 e 1918 a pipocar
greves em São Paulo e o movimento trabalhista invocava os lemas “abaixo a
guerra” e “abaixo o derramamento de sangue”. Álvaro teve contato com os
principais líderes, todos anarquistas ou socialistas pré-marxistas,
como Edgard Leuenroth, Everardo Dias, Benjamin Mota, José Oiticica e
Astrogildo Pereira.
Álvaro
também teve participação em greves tais como a dos padeiros em São
Paulo, tendo sido penalizado com sua deportação para Mato Grosso. Lá ele
trabalhou numa fazenda da Companhia Mate-Laranjeira, que iniciava a
construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré.
Nessa
época conheceu aquela com quem iria se casar. Eliza Arseno Espíndola
era casada com um músico do Exército que estava desaparecido e ela o foi
procurar onde Álvaro estava, em Mato Grosso. Eliza tinha duas filhas
Nair e Aída. A história não conta se o músico foi encontrado ou não, só
que Álvaro casou com Eliza no início dos anos 20, em Florianópolis e
João, seu único filho com Álvaro, nasceu em 1926.
Sua vida foi marcada por encontros e desencontros com o partido comunista. Leia a história completa. Beba na fonte.
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